Promíscuos
Livro de Poemas da Alcova (2019). O erotismo visceral e a luxúria dos amantes em quatro atos entre quatro paredes, guiados pela pena despojada e obscena do poeta.
Ato
Acordar pelas minhas mãos em puros acordes de tesão...
Como tocar um instrumento e afinar os sentidos em movimento...
Êxtase ao prazer da peleja sob a dor do desejo o sexo lateja...
Gozar sem esconderijo exposto à tensão do membro rijo.
Alcova
Falar de você me excita... Não só meu coração carente, Mas, o cume do corpo palpita Em uma onda de energia obscena...
Assim, sofregamente que a razão sai de cena!
Dispo-me das palavras fúteis... No relevo do seu corpo tortuoso, E me arrisco em carícias úteis, Sigo a esmo, sem perder o rumo...
Prazer voluptuoso para o meu consumo!
Essa sede de desejo me orienta... A beber do humor da pele embriagante Como um náufrago à deriva na tormenta, Até as plagas de águas mais profundas...
Na batalha ofegante de armas fecundas!
Pensar em você me incita... A escrever poemas promíscuos Sonetos de alcova por la dolce vita Recuerdos de una pásion que arrebata.
Versos profícuos que a mão arremata!
Banquete da Libido
Do meu corpo exposto O que mais se expressa É o cume que atrai e atravessa Toda brecha em que é posto!
Do teu corpo sedutor O sexo exibes sem pressa É assim servida em travessa Toda a iguaria sem pudor
E neste império dos sentidos Onde o prazer é saboroso Como o banquete das libidos Toda paixão resume em gozo.
Retórica Sensual
Cláusula Primeira Vou me vestir de você Fazendo de ti a minha roupa Cedo a sedução não me poupa E assim ficar abrigado! (Dar-me ao calor que me aquece)
Clausula Segunda Vou me trajar de você Como se quisesse caber Justo antes de me embeber Em seu espaço apertado! (Seja, então, aquilo que me veste)
Clausula Terceira Vou me envolver de você Sendo assim seu conteúdo Nada mais e além de tudo Em suor e pelo arrepiado! (Sorver o humor no tecido da pele)
Clausula Quarta Vou me atar a você Como, em seu corpo, cativo Até gozar do sabor sedativo E assim dizer: Obrigado! (Que o bom do prazer esteja breve)
O Côncavo e Convexo
Esse desejo que me conta (a) mina Como a paixão primal, a bem do sexo Revela a nudez da alma, a fé menina Nu(m)a união do côncavo e o convexo
Toda sensual-idade fluida dos sentidos Eivados de malícia profícua e obs-cena Corpo e mente se (con)fundem diluídos No êxtase do prazer que nos condena
Eis o que de fato des-afia a sanidade Nas entre-linhas das viagens proibidas Entre-tantos passos pela etern(a)idade No compasso dessas órbitas perdidas.
Soneto do Amor Infame
Então o amor perde o seu glamour Quando o tesão se une a lasciva Numa peleja tão obsessiva Que o corpo vibra cheio de calor
Então o sexo eclode da disputa Assume formas e poses sensuais É a comunhão humana de animais Numa promíscua alcova de luta
Nessa batalha de pele e saliva A arma dura do macho é letal Na sua investida invasiva
Assim como se fora de metal Sem escudo, a fêmea não se esquiva Acolhe o golpe no gozo final.
